O sequestro de 32 crianças e dois
professores num autocarro em Manila, nas Filipinas, terminou após dez
horas de pesadelo com a libertação dos reféns e a rendição pacífica do
sequestrador.
Armando Ducat, de 60 anos e director do infantário Musmo Day Care,
activou uma granada de mão com a qual ameaçava explodir o veículo mas,
após negociações com o ex-governador Luis "Chavit" Singson, que entrou
no autocarro, rendeu-se entregando a granada e outras armas.
O sequestrador exigia alojamento e educação gratuitos para as crianças
desfavorecidas e impunha como condição a realização de uma vigília por
parte das famílias e da população, para atingir esse propósito. Outra
das exigências, e que foi cumprida, implicou a transmissão do sequestro
pela televisão.
A acção teve início logo de manhã, quando Ducat transformou uma
excursão estudantil a Tagaytay - um popular centro de recreio no sul de
Manila que incluía a visita ao lago e ao vulcão Ta'al, com clima mais
ameno que o da capital - num sequestro com projecção internacional.
O motorista contou que esteve sempre calmo porque conhecia Ducat e
sabia que ele não faria mal às crianças. "Mesmo quando tirou a cavilha
de segurança da granada fiquei calmo, porque tudo não passava de uma
forma de pressão", explicou o condutor.
Apesar de os seus parentes e amigos terem descrito Ducat como uma
pessoa pacífica e calma, os familiares das crianças ficaram preocupados
porque o sequestrador tinha também em seu poder duas armas. O director
já tinha protagonizado um outro sequestro em 1989. Na ocasião, dois
sacerdotes foram feitos reféns por uma disputa que envolvia a
restauração de igrejas, que também terminou bem e com o Ducat livre.