O Estádio do Algarve e as serras algarvias
serão, a partir de hoje e até ao próximo domingo, centro das atenções
dos amantes do automobilismo de competição, pois vai para a estrada o
Rali de Portugal 2007 que, na sua 41.ª edição marca o regresso, seis
anos depois, ao Mundial WRC.
Para trás ficam meses de preparação que culminaram ontem, com os
últimos reconhecimentos feitos aos diferentes troços por parte dos
pilotos.
A opinião é generalizada que os percursos combinam troços rápidos e
abertos com pistas mais técnicas e com maiores desafios, sempre
disputados em pisos de terra, excepção feita à especial de hoje.
A prova tem início marcado para o Estádio do Algarve, onde se vai
realizar uma Super especial de 2,03 km de extensão, que será disputada
em simultâneo por duas equipas, numa dupla pista de alcatrão montada
para efeito, perante uma multidão estimada em cerca de 20 mil
espectadores e será também palco da cerimónia de pódio.
Mas esse verdadeiro pontapé de saída é apenas uma ínfima parte do que
os esperados 500 mil espectadores vão poder ver. Estrelas como o
tricampeão mundial Sébastien Loeb, no novo Citröen C4, o bicampeão
Marcus Grönholm, em Ford Focus, os dois principais candidatos, o
norueguês Peter Solberg, em Subaru e o português Armindo Araújo farão
as delícias dos amantes da terra.
Os factores decisivos para a vitória apontados por todos os pilotos,
além da actual mecânica dos carros, são a acertada escolha de pneus
para as respectivas tiradas e, acima de tudo, as condições
climatéricas. Se chover prevê-se muito mais luta pelo topo da tabela
classificativa.
Armindo Araújo é a principal referência nacional, ele que vai correr
com um Mitsubishi Lancer WRC05, que ainda não havia sido utilizado este
ano, mas que é competitivo. Ainda assim, o piloto, que venceu três das
últimas quatro edições, recusa alimentar expectativas de poder chegar
sequer perto do mesmo patamar.
"Não sou candidato a nada, pelo que é bom todos percebam que não tenho
a ambição, nem tão pouco as condições, para lutar pelos lugares da
frente, muito menos por um pódio", salientou.
O mais importante desta edição que marca o regresso do evento português
ao campeonato mundial é o comportamento dos espectadores. A segurança é
aposta forte da organização e um dos aspectos mais tidos em conta pela
FIA para a manutenção da prova em terras lusas.
Números do evento são exemplo de grandeza
São impressionantes os números que compõem o evento em terras do
Algarve. Às 90 equipas admitidas à competição correspondem 180 veículos
de assistência, 12 helicópteros, 50 veículos de assistência médica, 50
veículos de bombeiros, 1600 efectivos de segurança, 800 funcionários da
organização, 900 jornalistas e 500 mil espectadores esperados.
Impacto na economia local é de 27,6 milhões
O impacto na economia da região do Algarve e Baixo Alentejo é um dos
aspectos mais importantes no regresso do Campeonato Mundial a Portugal.
Todos os indicadores apontam para resultados francamente positivos que
devem atingir cerca de 27,6 milhões de euros em apenas quatro dias.
40 zonas espectáculo para o público
A segurança é uma das, senão mesmo a maior, preocupação da organização.
A busca do público por locais para ver de perto os carros costuma
chocar com a organização. Desta forma, foram criadas 40 zonas de
espectáculo, cada uma com cerca de 800 metros, permitindo vários pontos
de observação do percurso. Todas estão equipadas com casas de banho,
contentores de lixo e as habituais roulotes de comida. Os alojamentos
estão repletos, mas a alternativa do campismo foi também acautelada
pela organização que criou espaços perto das zonas espectáculo onde se
pode entrar até à meia-noite.