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Cautelas e caldos de galinha
 
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Há jogos que se ganham nos primeiros segundos. Há jogos que se perdem no último suspiro dos descontos. Mas também há jogos que se decidem ainda antes de o árbitro dar início à contenda. Pois foi isso que ontem aconteceu em Belgrado, onde a selecção portuguesa não conseguiu melhor do que um empate a uma bola com a Sérvia, em jogo do Grupo A da fase de qualificação para o Campeonato da Europa do próximo ano. A saída de Quaresma do onze inicial - entrou aos 81 minutos! - tem tudo menos explicação.

Diz a velha máxima que em equipa que ganha não se mexe. Ora em equipa que goleia e faz uma segunda parte como a que Portugal rubricou, no sábado, com a Bélgica não se pode, sequer, beliscar. Mas Scolari assim não entendeu. Abdicar do talento de Quaresma, depois de quatro dias antes o extremo do F. C. Porto ter feito a exibição que fez e de ter marcado um dos mais belos golos desde que Felipão agarrou na equipa das quinas, não tem justificação.

E a verdade é que ausência de Quaresma parece ter influenciado negativamente o outro mágico da equipa. Cristiano Ronaldo nunca foi o desequilibrador que encanta adeptos e desespera adversários. Muito vigiado, o extremo do Manchester United acabou por ser vítima do maior poderio físico dos adversários. Exagerou nos protestos e acabou por ver um cartão amarelo que o coloca de fora da importante deslocação à Bélgica, no início de Junho.

Mas o que os vice-campeões europeus não possuíram em magia, conseguiram ter em sorte, uma vez que, logo aos cinco minutos, chegaram à vantagem no marcador, graças a um golo de Tiago. O médio do Lyon rematou de fora da área, a bola foi desviada por um defesa e passou por cima de Stojkovic, que, adiantado, nada pôde fazer.

Scolari tinha dito que a goleada à Bélgica, no sábado, tinha sido um milagre. Porém, milagre era Portugal ter estado meia hora na frente do marcador sem ter assinado uma única ocasião de golo. Assim, não estranhou que os sérvios chegassem ao empate ainda antes do intervalo. Fruto de um futebol objectivo, cheio de alma e empurrado por um apoio quase fanático dos adeptos, Jankovic colocou o Marakana de Belgrado em delírio. Na sequência de um canto, o médio do Maiorca saltou bem alto - talvez Paulo Ferreira pudesse ter feito mais - e pintou a partida com as cores da justiça.

Perto de bisar

A segunda parte de Portugal foi melhor. Os sérvios perderam pulmão e isso fez com que a equipa das quinas trocasse a bola com outra tranquilidade e, sobretudo, conseguisse rematar à baliza. Tiago esteve perto de bisar, mas Stojkovic mostrou-se atento e eficaz.

As duas primeiras substituições operadas por Scolari - refrescou a defesa e o meio-campo - deixaram perceber que o seleccionador português estava satisfeito com o empate. E o resultado foi, de facto, o melhor que os vice-campeões europeus levaram de Belgrado. A igualdade coloca Portugal no segundo lugar do Grupo A do apuramento. Felipão insiste em jogar com a máquina de calcular. Oxalá a prova dos nove, marcada para o final de Novembro, quando termina a fase de qualificação, bata certo com as contas do seleccionador…

In jn