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Associações atacam critérios de compra de equipamento
 
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Da "bondade e necessidade" da iniciativa ninguém tem dúvidas, mas a forma como está a decorrer a aquisição de equipamento de protecção individual para os corpos de bombeiros merece críticas das principais associações representativas. A inexistência de concurso público, a falta de fiscalização da qualidade técnica dos equipamentos e a diversidade de critérios consoante os distritos são algumas das falhas apontadas.

À semelhança do que se verificou no ano passado, as verbas para aquisição foram atribuídas aos governos civis, encarregues de definir as quantidades a atribuir por associação, "tendo em conta proposta do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC)". A diferença é que, desta vez, foi introduzida a possibilidade de a aquisição ser feita pelas federações distritais de bombeiros, o que Fernando Curto, presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), considera "caricato".

"Atendendo à relação comercial de alguns comandantes com empresas, deveria haver supervisão do SNBPC, uma entidade isenta", sustenta. Considera, por outro lado, que o facto de o Governo delegar nos governos civis e estes, por sua vez, não efectuarem directamente a compra - pagando mediante "prova da efectiva aquisição do equipamento" - são mecanismos para "evitar a realização de concurso público".

A lei que regula a contratação pública (decreto-lei nº 197/99) fixa em 125 mil euros o limite a partir do qual é aplicável o regime de concurso público. O montante máximo em causa (considerando os limites do número de equipamentos por distrito e o tecto das comparticipação) é de 3,2 milhões de euros.

"Flexibilidade", diz MAI

Fonte do Ministério da Administração Interna (MAI) justifica que, "dentro da lei, este foi o processo que mais permitiu agilizar a aquisição, para que no Verão as corporações estejam equipadas". Salientando não haver "novidades em relação ao procedimento adoptado em 2006", acrescenta que a "obrigatoriedade de apresentação de comprovativos e a fixação de montantes máximos de comparticipação garante a transparência do processo".

Argumento que se encontra no despacho do secretário de Estado Ascenso Simões, que invoca a "necessidade de garantir, por um lado, a aquisição aos melhores preços do mercado mas, por outro, a suficiente flexibilidade nos apoios para permitir adaptação às necessidades dos corpos de bombeiros e às disponibilidades de entrega".

Critérios questionados

Agilidade é também o argumento invocado para explicar o envolvimento das federações distritais. Até porque, sendo a aquisição feita com verbas dos governos civis, "facilita haver um interlocutor distrital", acentua Duarte Caldeira, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses. Explica que há situações variáveis no país, porque "algumas federações aceitaram os protocolos propostos, outras recusaram e outras ainda nem sequer foram contactadas".

O dirigente afirma, contudo, que a Liga se tem demarcado de todo o dossiê e recorda que cada federação tem autonomia e personalidade jurídica própria. "No ano passado foi-nos feito o convite para participarmos, até porque temos uma central de compras, mas entendemos que não é nossa vocação participar numa operação em larga escala e empresarial", recorda.

Se sobre as suspeições quanto à isenção das federações considera não haver fundamento - "a questão teria de ser colocada ao mesmo nível sendo as associações a fazer a compra" -, já relativamente aos critérios de distribuição Duarte Caldeira partilha das dúvidas da ANBP. "A distribuição mais justa não é dar igual a todos, mas distribuir mediante uma avaliação prévia das necessidades", sustenta, considerando que, com esta metodologia, "cada governador civil tem o seu critério". Razão para insistir na necessidade de elaboração de planos de reequipamento plurianuais.

A mesma fonte do MAI salienta que os equipamentos são distribuídos "com base nas corporações que participam no dispositivo" de combate a fogos florestais. E quanto às dúvidas sobre a qualidade e adequação dos materiais adquiridos aos requisitos técnicos determinados, salienta que "compete aos governadores civis verificar, em colaboração estreita com os comandantes distritais".



Relatório

A definição das características a que devem obedecer as aquisições foi feita no ano passado, por uma comissão de acompanhamento nomeada para o efeito, tendo as conclusões sido consideradas "actualizadas".



Tabela de preços O despacho do secretário de Estado Ascenso Simões, que determina o apoio à aquisição dos equipamentos, fixa também o valor de comparticipação para cada um. O conjunto contempla capacete de protecção, botas, dolman (casaco), calças, cógula ignífuga (a usar sob o capacete) e luvas.



Investimento

Dado que serão adquiridas em maior quantidade, as calças e casacos absorvem a maior parcela de investimento (quase dois terços). Apesar de serem a peça mais cara (109,65 euros por unidade), os capacetes são comprados em menor número (um por bombeiro, no total máximo de 4748).




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