Os pacientes com tumor cerebral podem evitar a queda de cabelo se forem tratados com novas técnicas de radiação, melhorando assim a sua qualidade de vida e, ao mesmo tempo, controlando a evolução do cancro, de acordo com um estudo apresentado a 16 de Outubro, no 47.º encontro da ASTRO (Sociedade Americana de Radiologia e Oncologia Terapêutica), em Denver.
A maioria dos pacientes com tumor cerebral generalizado recebe radioterapia em todo o cérebro e não apenas numa zona específica. O tratamento utiliza dois raios que actuam dos dois lados da cabeça, para combater o cancro. No entanto, este método provoca, ao mesmo tempo, a queda de cabelo.
Uma vez que a queda de cabelo pode ser mais uma experiência traumática para os doentes, alguns médicos estão já a experimentar novos tipos de radioterapia, no sentido de verificar se são tão eficazes no tratamento do cancro como os já utilizados, mas que previnam também a queda de cabelo.
Para este estudo, que envolveu dez pacientes, os investigadores usaram uma nova técnica de radioterapia que permite controlar a intensidade dos raios, orientando-os para atingirem o tumor de forma mais precisa, poupando, assim, os tecidos envolventes ainda saudáveis (como os folículos capilares). Este método permite reduzir significativamente a queda de cabelo: quatro semanas após o fim do tratamento, metade dos pacientes envolvidos no estudo revelaram apenas uma pequena queda do cabelo, enquanto a outra metade não notou diferença alguma. Para além disso, os pacientes notaram também alguns dos efeitos secundários do antigo método, como irritabilidade no couro cabeludo ou atrás das orelhas. Num curto período de observação, a taxa de sobrevivência é de 100% e apenas um paciente registou uma progressão do cancro.
"Este novo estudo irá motivar os médicos a considerar o uso desta nova técnica de radiação para tratar o cancro cerebral generalizado", declarou o Dr. Tood Scarbrough, autor do estudo e oncologista no MIMA Centro de Cancro, em Melbourne, na Florida. "Embora a queda de cabelo possa parecer trivial, pode ser muito difícil para um paciente que já se encontra deprimido pelo diagnóstico e pelo stress do tratamento. Tenho esperança que este novo estudo venha ajudar a melhorar a qualidade de vida destes pacientes."